Hospital Oncológico Infantil luta contra o câncer acolhendo famílias
Hospital Oncológico Infantil luta contra o câncer acolhendo famílias

O menino Murilo da Silva Caxias, de 8 anos, sorri. Está todo arrumado e faceiro. Sob o gorro que usa, caretas e expressões: ele é amarelo e engraçado, propositalmente feito para lembrar os minions - os pequenos anti-heróis que estão entre os personagens de desenhos animados preferidos do garoto. “Gosto deles e do homem-aranha. Dos super-heróis, gosto só dele. É porque ele é forte e sobe as paredes!”, justifica o menino.

Nos últimos meses, Murilo tem sido o maior protagonista de uma superaventura pessoal - que tem exigido dele e da sua família mais que muitos roteiros já pensados para os desenhos ou os quadrinhos que povoam seu universo infantil. Ele é um dos mais de 600 meninos e meninas que hoje passam diariamente por tratamentos no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (HOIOL), a maior referência no atendimento de crianças e adolescentes de zero a 19 anos com câncer no Pará.

Nesse núcleo, que é hoje um dos maiores centros de atendimento deste gênero no País, histórias de superação e força de crianças como Murilo e sua família e também de profissionais de saúde expõem a importância de investimentos do poder público em unidades de saúde como essa. Desde que foi aberto pelo governo do Pará, em 12 de outubro de 2015, o hospital impactou decisivamente o atendimento especializado e a luta contra o câncer na região Norte. Um trabalho de referência e de excelência que merece ser lembrado hoje, 15 de fevereiro, Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil.

Dias de bravura

Há dois meses tem sido assim para a dona de casa Soraia Cristina da Silva Caxias, 31. Desde que o filho caçula Murilo começou seu novo tratamento no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, praticamente todos os dias ela recomeça a rotina às três da manhã, na comunidade Novo Horizonte, no município de Vigia.

É preciso acordar antes do sol sair, ainda tateando até o ponto, no escuro da madrugada, para não perder o ônibus que parte para a capital às quatro da manhã. Tudo para que a mãe e o filho possam estar às sete e meia no hospital. É preciso dar sequência à quimioterapia que está sendo o trunfo contra o câncer do filho.

Há cinco meses Murilo foi diagnosticado. Sofre com um tipo de câncer conhecido como linfoma não-Hodgkin. Os linfomas são neoplasias malignas ligadas aos gânglios (linfonodos), as células que compõem o nosso sistema linfático - a rede complexa de vasos e pequenas estruturas que é importantíssima para defesa do organismo, já que produzem os anticorpos que atuam em nosso sistema circulatório. Entre os linfomas, a neoplasia não-Hodgkin é o tipo mais incidente na infância, e a quimioterapia e a radioterapia são os mais importantes recursos para o tratamento da doença.

A vitalidade e os sorrisos de Murilo, espalhados pelo leito onde é atendido no setor de quimioterapia do Hospital Oncológico Infantil, enchem de alegria e esperanças os olhos calejados da mãe. No início do tratamento, o menino passou quase três meses internado no hospital Barros Barreto, antes de vir para o Oncológico Infantil. “Ele chegou aqui quase morto, muito magro. Foram 90 dias com um dreno, por conta de um derrame pleural. Graças a Deus meu filho hoje está ótimo”, comemora de forma singela a mãe. “Sinto que meu filho está em boas mãos e aqui tenho um grande amparo, tenho até onde buscar um conselho, um apoio para conversar. Às vezes é preciso”.

A vida de Murilo e de sua mãe pararam nesse momento de esforço concentrado – e que tem conseguido vitórias diárias contra o câncer. A rotina, que tomou o tempo da escola e de brincadeiras comuns da infância, também exigiu sacrifícios da mãe. Os outros dois filhos de Soraia, mais velhos, são cuidados por uma vizinha amiga durante a sua ausência na casa em Vigia - para a qual sempre retorna, ao fim das jornadas que podem por vezes se encerrar apenas no dia seguinte. Além do lar, Soraia precisou fazer mais sacrifícios. Largou também o trabalho para poder acompanhar o tratamento do filho.

“No início, passamos quatro semanas vindo de segunda a sexta. Agora precisamos vir todos os dias, de domingo a domingo. O Murilo às vezes fala comigo que é difícil. Mas ainda assim meu filho acorda disposto. Meu filho é um guerreiro”, emociona-se.

Em suas supervitórias, conquistadas nos últimos meses com a ajuda da quimioterapia oferecida com a ajuda do Hospital Oncológico Infantil, Murilo pinta, brinca e também vê desenhos na nova rotina diária. Fez do Oncológico Infantil sua segunda casa.  “Mas o que eu gosto mais é de cantar”, diz sobre seu passatempo preferido.

A música que o menino mais gosta de repetir pelos corredores é “Conquistando o impossível”, um sucesso da dupla Breno César e Solange que já foi interpretada por artistas como Jamily e Luan Santana. Ela resume o espírito da sua nova brincadeira de enfrentar a vida: “Acredite / é hora de vencer / Essa força vem de dentro de você (...) Acredite / que nenhum de nós / Já nasceu com jeito pra super herói”.

Oncológico Infantil quintuplicou número de leitos para tratamento em menos de dois anos

Para entender melhor o que significou a abertura do Hospital Oncológico Infantil para o tratamento oncológico no Pará, a partir de 2015, é preciso lembrar como era o atendimento no Estado antes de seu surgimento - tendo como referência o trabalho então feito pelo Hospital Ophir Loyola. “Lá, tínhamos dezoito leitos para pediatria. Aqui, abrimos o Hospital Oncológico Infantil já com 34 e hoje dispomos de 89 leitos só para crianças e adolescentes. Por isso tudo, podemos dizer hoje que o Estado do Pará não tem fila para a internação e o tratamento do câncer voltados a essa clientela. A criação deste hospital mudou completamente o panorama desse tipo de atendimento no Estado”, pontua a diretora-geral do Hospital Oncológico Infantil, Alba Muniz.

O desafio maior agora para o Estado, lembra a gestora, é trabalhar o diagnóstico precoce, especialmente no interior, através da assistência básica. Esse é o nó atual para que se consiga elevar a taxa de cura de crianças e adolescentes com câncer no Pará, que hoje é de 50%, enquanto a média do resto do País é de 65%. “E essa nossa condição está diretamente ligada ao tempo de diagnóstico, que ainda ocorre muito tardiamente na nossa região. As chances de cura aumentam à medida que a doença é detectada mais cedo”, ressalta Alba Muniz.

Esse desafio específico do combate ao câncer no Brasil é tão importante que, recentemente, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançaram, no último dia 10 de fevereiro, o primeiro Protocolo de Diagnóstico Precoce do Câncer Pediátrico. O objetivo da publicação é auxiliar os profissionais de saúde pública a conduzirem casos suspeitos e confirmados dentro de uma linha de cuidados - com definição de fluxos e ações desde a atenção básica até a assistência de alta complexidade.

Outra meta é justamente incentivar os diagnósticos mais precoces e uma maior agilidade nos encaminhamentos para início de tratamento. Isso tudo tem também outra motivação especial: pela natureza da dinâmica do metabolismo na infância, os cânceres em crianças apresentam crescimento rápido, da mesma forma que as tentativas de tratamento, por sua vez, podem ter muito mais possibilidades de sucesso. A equação é simples: quanto menos se enxerga o mal nessa fase, mais letal ele pode ser – e quanto mais atenção dada, mais as possibilidades de melhores resultados em tratamentos.

“O que dificulta, em muitos casos, a suspeita e o diagnóstico do câncer nas crianças e nos adolescentes é o fato dos sinais e sintomas serem comuns a outras doenças. Há casos em que as famílias recorrem à assistência médica várias vezes e o paciente pode ser diagnosticado já com doença avançada”, declarou no início de fevereiro o secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Francisco Figueiredo, durante o lançamento do novo protocolo do MS para diagnóstico precoce do câncer pediátrico.

Entre os sintomas de câncer em crianças, muitas vezes ignorados, estão palidez, hematomas, sangramentos, dor óssea, suor noturno, perda de peso inexplicada, caroços ou inchaços, alterações oculares, inchaço abdominal, dores de cabeça persistente, vômitos, inchaço sem trauma e dores em membros, entre outros.

No Brasil, o câncer entre crianças e jovens responde por 3% de todos os tipos diagnosticados no País. Dados do Inca apontam que a mortalidade por câncer entre crianças e adolescentes no Brasil está estável, mas essa ainda é a primeira causa de morte por doença na faixa etária de 1 a 19 anos. Os tipos de cânceres infanto-juvenis mais comuns hoje são as leucemias, seguidos dos linfomas (gânglios linfáticos) e dos tumores do sistema nervoso central (conhecidos como cerebrais). O número de óbitos por câncer nesta faixa etária é menor apenas do que o de mortes ligadas a causas externas - como os acidentes e violência.

Estimativas indicam ainda que, em 2016, surgiram 12,6 mil novos casos de câncer em crianças e adolescentes até os 19 anos no Brasil. As regiões Sudeste e Nordeste apresentaram os maiores números de casos novos (6.050 e 2.750, respectivamente), seguidas pelas Regiões Sul (1.320 casos novos), Centro-Oeste (1.270 casos novos) e Norte (1.210 casos novos).

No Pará, especificamente, antes do surgimento do Hospital Oncológico Infantil, a expectativa média do Estado flutuava entre 120 casos novos diagnosticados por ano entre crianças e jovens - na época em que esse atendimento era feito apenas pelo Hospital Ophir Loyola. Após a abertura do Oncológico Infantil, essa estimativa saltou à marca média de 256 novos casos registrados ao ano. “Isso significa que está havendo mais acesso à saúde”, pondera a diretora-geral do hospital, Alba Muniz.

Unidade é considerada a maior do Brasil em volume de serviços 

O universo de pacientes atualmente atendidos pelas rotinas diárias mantidas pelo Hospital Oncológico Infantil de Belém chega hoje a 650 crianças e jovens. A expectativa média de convívio desses pacientes com a rotina do hospital pode durar até cinco anos.

Ao todo, o Hospital Oncológico Infantil realiza cerca de 550 consultas por mês, para acompanhamento constante do esforço concentrado pela cura, além de 2.500 sessões mensais de tratamentos com quimioterapia. Dos 89 leitos disponíveis, dez são destinados à UTI, com média constante de 100% de ocupação. Os 79 leitos restantes têm uma rotina de 80% de ocupação diária, com média de 18 dias de internação. Ao todo, são cerca de 110 internações feitas a cada mês.

“E além disso, o paciente em terapia no nosso hospital muitas vezes precisa de pronto socorro. Para isso, ele não vai a um hospital comum. Ele é atendido pelo nosso hospital, que fica aberto 24 horas por dia. São cerca de 20 atendimentos diários. Por tudo isso, somos considerados hoje o maior hospital oncológico pediátrico do Brasil em volume de serviços”, atesta a diretora-geral do Hospital Oncológico Infantil.

“Esse é o impacto de nosso hospital para a saúde do Pará: acesso fácil, rápido e de qualidade à assistência em oncologia para as crianças e jovens do Estado. Poucos serviços de saúde no Brasil dispõem dessa estrutura assistencial oferecida hoje no Pará, essa segurança especial que dá garantias aos pacientes que passam por aqui”, avalia Alba Muniz.  

“E nós não só tratamos da doença deles, mas também nos preocupamos com a manutenção da rotina desses pequenos cidadãos”, ressalta a diretora do hospital, citando aspectos como a continuidade do acesso ao ensino. Como se sabe, as rotinas de tratamento exigidas muitas vezes acabam afastando essas crianças e jovens dos bancos das escolas comuns – visto que só podem frequentar salas de aulas normais com laudos médicos atestando que podem voltar a fazer isso.

Para isso, o Oncológico Infantil também tem programas como a Classe Hospitalar, mantido em convênio com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que há muito oferece esse tipo de assistência à rede pública de saúde do Pará - dentro da modalidade educação especial. “Eles são matriculados pela secretaria de educação e as aulas acontecem dentro do hospital, com professores da rede, quando estão cumprindo atendimento ambulatorial e também durante internações”.

Atendimento integral cria laços entre profissionais, familiares e pacientes

Passa das quatro da tarde no quarto andar do Oncológico Infantil - o mais sensível do prédio, por abrigar o bloco cirúrgico e a UTI do hospital - quando a médica Alayde Vieira se detém, ao fim do corredor, diante de uma maca. Ela se abaixa suavemente, fazendo com que seu rosto entre no campo de visão de um jovem que acaba de deixar a sala de cirurgia. A médica fala baixo, suavemente, perguntando se ele está bem. De repente, o sorriso largo responde ao aceno positivo do paciente. Um flagrante dos laços que se criam frente à dura rotina de cuidados.

Há dez anos na carreira médica, Alayde Vieira é professora universitária, mestre e doutoranda em oncologia e responde atualmente pela coordenação da oncologia pediátrica do Oncológico Infantil. Está na casa desde a criação do hospital, em 2015. Antes, passou pelo Ophir Loyola.  

“Infelizmente, pela dimensão de nosso Estado e pelo desconhecimento da população, o câncer infantil ainda é detectado muito tardiamente e esse é o grande problema imposto hoje ao Pará. Precisamos que esses pacientes cheguem cada vez menos tardiamente ao nosso atendimento para que a sobrevida deles e as chances de cura sejam cada vez maiores, mas esse não é o desafio único. O atendimento humanizado é uma grande necessidade”, ressalta a médica.

A oncologista argumenta: o tratamento do câncer envolve mudanças completas de rotinas e hábitos de não apenas essas crianças e jovens, mas de famílias inteiras. “Outro grande esforço crucial do Oncológico Infantil é conseguir abraçar por inteiro essas famílias. Elas precisam ser acolhidas para vencerem o desconhecimento e o medo frente à doença. Nós precisamos fazê-las entender o que é o câncer e como lidar com ele. É um grande desafio diário, mas cujos resultados acabam sendo muito gratificantes para nós profissionais”, diz Alayde Vieira.

Diante de procedimentos tão invasivos e cotidianos que exigem tanto do espírito de luta e do moral de familiares e de pequenos pacientes, implantar rotinas que suavizem essa passagem pelas instalações do hospital vira uma palavra de ordem. “Nós nos preocupamos com atividades lúdicas para as crianças tanto quanto com o apoio à família, como salas de atendimento que incluem vários outros profissionais, de psicólogos e pedagogos a fonoaudiólogos. É preciso tornar o mais amigável possível essa caminhada, que é muito difícil e que pode não ter o final esperado. Muitas vezes, uma mãe procura a sala de psicologia só para desabafar, para conversar. É o que sempre dizemos: ainda que não consigamos curar 100%, temos que conseguir acolher e abraçar toda essa clientela”, resume a médica.

Pacto

Esse esforço do Oncológico Infantil Octávio Lobo em entender as necessidades de seus jovens pacientes e de suas famílias recentemente ganhou novo crédito. O hospital foi confirmado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como instituição signatária do Pacto Global – iniciativa da ONU que tem como objetivo mobilizar a comunidade empresarial internacional e instituições públicas e privadas para a adoção de valores fundamentais e internacionalmente aceitos nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção em suas práticas e fomento de negócios.

Ao ser confirmado como signatário do Pacto Global, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo passou a fazer parte da esfera de instituições de saúde que já integram uma rede com mais de 12 mil organizações signatárias, ligadas a vários setores ao redor do mundo.

Administrado desde sua inauguração, em 12 de outubro de 2015, pela Organização Social de Saúde (OSS) Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar - através de contrato firmado com o governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) -, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo agora é o terceiro hospital público paraense a aderir à lista do pacto Global da ONU. Também são signatários no Pará o Hospital Público Estadual Galileu, de Ananindeua, e o Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), de Santarém. Todos são geridos pela OSS Pró-Saúde.

Ao serem signatárias do Pacto Global – de forma voluntária -, as instituições concordam em seguir e defender valores expressos em 10 princípios, ligados às áreas de direitos humanos, trabalho, ambiente e combate à corrupção. A meta é fortalecer um mercado global mais inclusivo e igualitário, promover o crescimento sustentável e a cidadania ao redor do globo.

“Ser signatário do Pacto Global amplia o compromisso do hospital com a comunidade, tendo como base valores humanitários essenciais para o bem-estar das pessoas. Isso também mostra o compromisso do governo do Estado, alinhado com a gestão da Pró-Saúde, em seguir melhorando a assistência oferecida à população”, avalia a diretora-geral do Hospital Oncológico Infantil, Alba Muniz. “Isso significa que nos propomos a agir de acordo com esses princípios e nos permitimos ser auditados em vários aspectos relativos ao respeito aos direitos humanos e do trabalho, à sustentabilidade e à transparência”.

(Fonte: Agência Pará)



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