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Nagilson Amoury
Nagilson Amoury é colunista colaborador do Portal Correio News e emite opiniões sobre Saúde.
Febre Amarela III
Febre Amarela III

A vigilância entomológica constitui uma ferramenta alternativa de investigação de evento suspeito de Febre amarela e outros arbovírus, baseando-se na pesquisa de vírus a partir de mosquitos.

Para o desenvolvimento das atividades dessa investigação, é necessária a padronização dos métodos empregados com vistas à comparação dos dados produzidos nas diversas unidades federativas, o que permitirá a estratificação do risco de transmissão, com implicações na análise e na definição das áreas receptivas e das Áreas Com Recomendação de Vacina.

A vacina contra febre amarela é a medida mais importante para prevenção e controle da doença. Produzida no Brasil desde 1937, pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos. É da cepa 17 DD, sendo constituída por vírus vivos atenuados derivados de uma amostra africana do vírus amarílico selvagem. Apresenta eficácia acima de 95%.

A vacina é reconhecidamente eficaz e segura. Entretanto, eventos adversos podem ocorrer, como reações locais e sistêmicas, tais como febre, dor local, dor de cabeça, dor no corpo, dentre outros. Atenção especial deve ser dada quando, após administração da vacina de febre amarela, a pessoa apresentar dor abdominal intensa.

Recomenda-se a vacina contra febre amarela para toda a população a partir dos 9 meses de idade que se desloca da área sem recomendação de vacina para a área com recomendação da vacina. No caso de primeira vacinação, a administração deve ser realizada no mínimo 10 dias antes da viagem, para que a pessoa seja considerada protegida. Os anticorpos protetores contra o vírus são produzidos entre o 7º e 10º dia após a administração.

Em relação a imunidade, uma dose confere proteção. No entanto, é necessária a administração de pelo menos uma dose de reforço aos 4 anos de idade (crianças) ou após 10 anos (adultos), a depender da situação vacinal individual. Os anticorpos protetores aparecem entre o sétimo e décimo dias após a aplicação, razão pela qual a imunização deve ocorrer dez dias antes de se ingressar em área de transmissão.

É contraindicada para: crianças com menos de 6 meses de idade; pacientes com imunossupressão de qualquer natureza, como: pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave. Para crianças com menos de 6 anos de idade. Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia, radioterapia, imunomoduladores). Pacientes submetidos a transplante de órgãos. Pacientes com imunodeficiência primária. Pacientes com neoplasia.

Observação, nos casos de pacientes com imunodeficiência, a administração desta vacina deve ser condicionada a avaliação médica individual de risco-benefício e não deve ser realizada em caso de imunodepressão grave. Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e outros produtos que contêm proteína animal bovina). Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).

A única forma de evitar Febre Amarela Silvestre é através da vacinação. A vacina está disponível durante todo o ano nas unidades de cuidados de saúde de forma gratuita e deve ser administrada pelo menos 10 dias antes do deslocamento para áreas de risco. A vacina pode ser administrada após seis meses de idade e é válida por dez anos. Além da vacina, outras medidas de proteção individual devem ser levadas em consideração, como o uso de calças e camisas de manga longa e de repelentes contra insetos. O tema prossegue na próxima edição de terça-feira.

 

 

*O autor é médico e administrador de empresas.



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