Aos 15 anos, atleta de 1,90m e 148kg defende Brasil em torneio de seleções
Com inúmeros títulos na base, mas com os pés no chão, Leonardo Santana trilha seu caminho no judô e fora dele. Estudioso, ele sonha cursar Engenharia da Computação.
Aos 15 anos, atleta de 1,90m e 148kg defende Brasil em torneio de seleções

Hexacampeão brasileiro, três vezes medalhista no Pan de Judô, bicampeão sulamericano, tri nos Jogos Escolares da Juventude, penta no Brasileiro Regional e nos Jogos Escolares de Pernambuco, heptacampeão pernambucano sem nunca ter perdido uma luta em sua categoria de peso e idade no Estado e vice da etapa de Bremen, na Alemanha, do Circuito Mundial... Essas são as credenciais de Leonardo Santana, de 1,90m, 148kg e 15 anos. É claro que há certa cautela com as conquistas do jovem, já que todas foram nas categorias de base, e ele ainda precisa treinar muito para chegar ao profissional. Contudo, elas o colocam ao menos como uma promessa do judô o brasileiro para o futuro. Nesta segunda-feira, o atleta tem mais uma chance de provar seu valor na Copa Internacional de Seleções. No domingo, ele venceu seu confronto na categoria -100kg por imobilização e ajudou o Brasil contra a Argentina.

A competição, disputa apenas por atletas do sub-21, coloca o Brasil frente a frente com rivais de França, Alemanha e Argentina. A disputa por medalhas acontece nesta segunda-feira, na cidade baiana de Lauro de Freitas (com transmissão ao vivo do SporTV a partir das 18h30). Mais jovem da competição, ele disse não sentir pressão.

- Apesar de ser o mais novo da competição, pois ainda tenho 15 anos, eu não me sinto pressionado, porque mesmo sendo a minha primeira vez em um evento internacional sub 21, uma vez que já estive em campeonatos internacionais em minha categoria, eu estou treinando para representar da melhor forma possível o meu país. Não é uma tarefa fácil, mas estou orgulhoso por ter sido convocado - comentou o jovem que, em seu tempo livre, gosta de jogar vídeo-game para relaxar.

Leonardo Santana herdou dos pais a paixão pelo judô. Ronnei Azevedo, que é faixa preta e militar da reserva da Aeronáutica, ensinou ao menino os primeiros golpes. Sua mãe, Luciana, que é pedagoga e psicóloga aposentada, é faixa marrom. Mas foi do avô que ele nunca conheceu que veio a altura. O pai tem 1,87m, a mãe, 1,72m, e seu avô tinha 2,17m. Assim como o pai, o menino já está influenciando outras pessoas a praticarem judô.

- (Influenciei) minha irmã (que é faixa laranja), alguns amigos e filhos dos colegas do meu pai, porque o judô é um esporte que, além de defesa pessoal, ensina respeito, disciplina e educação, aumenta a capacidade motora e nos ensina que, sempre após uma queda, devemos nos reerguer, corrigindo os erros e procurando melhorar - relatou.

Até pela filosofia que aprendeu no judô, apesar da altura, Leonardo, que está no 2º ano do Ensino Médio e quer um dia cursar a Faculdade de Engenharia da Computação, não utiliza sua força física para intimidar seus colegas. Pelo contrário. Ele afirma que ganhou respeito em seu colégio por suas conquistas.

- Tive grandes passagens e resultados nas categorias citadas, lembrando que estou no segundo ano de sub-18. É verdade que o judô fez com que eu fosse muito respeitado na escola, mas mais pelos resultados e não tanto pelo tamanho ou força - explicou o menino, que, além de atleta, é bom aluno.

- Eu e minha turma, quando estávamos no 9º ano, ficamos em primeiro lugar no IDEB (Índice de Desenvolvimento Escolar Brasileiro), elevando a Escola de Aplicação do Recife  (EAR/FCAP/UPE) ao patamar de melhor escola do Brasil. Além disso, tenho duas medalhas nas Olimpíadas Brasileiras de Matemática (OBMEP) e fiquei em 2º lugar no Concurso Nacional de Redação - completou o judoca.

Leonardo concilia os treinos e torneios com estudo com muito esforço e, às vezes, utiliza o auxílio de aulas particulares para repor conteúdos perdidos. Ele treina 11 vezes por semana - manhã e noite de segunda à sexta-feira, e sábado pela manhã, mesclando treino de solo, randori (luta de treinamento do judô que não vale pontos) e físico, o que dá em torno de 22 a 27 horas semanais. Afinal, ele sonha alto.

- Meu sonho é ser campeão olímpico, e minhas referências no judô são o Teddy Rinner, o Rafael Silva (Baby), o Davi Moura, o Thiago Camilo e o Aurélio Miguel - concluiu.

 

(Fonte: Globo Esporte)



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